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Cruzando
os Andes pelo passo El Planchón
(de Malargue, Argentina, a Curicó, Chile)
Pela manhã,
novamente tenho uma leve dor de barriga, mas agora sei que é pela
ansiedade e preocupação em atravessar os Andes por este novo passo
de Pehuenche.
Desço
para o café da manhã do hotel com metade da bagagem, pois é
impossível carregar tudo de uma só vez.
Na
mesa ao lado, três homens e uma mulher conversam baixinho e me
observam, todos bem arrumados. A mulher com um vestido parecendo que
saiu naquele instante da costureira, pois a costura ainda não tinha
sido passada, ainda apresenta bordas arredondadas, enquanto os
homens bem barbeados, de paletó e gravata.
Sinto
que o assunto é o barbudo todo de couro, suas tralhas e sua moto.
Estão todos rindo e parece que falam em me transformar em um
vendedor, cortando o cabelo, a barba, tirando os brincos e me
vestindo um paletó e uma gravata de seda. Eu já penso em convidá-los
para atravessar os Andes de moto por um passo de terra. Na metade do
caminho já estariam querendo roupas de couro e pretendendo não
mais desperdiçar tempo em fazer a barba diariamente. Realmente não
daria certo, cada macaco no seu galho.
Para
quem cruza os Andes por essa região, o último abastecimento é em
Malargue, Argentina, depois só em Talca, já no território
chileno, distante 320km.
Abasteço a moto e os camburões, anoto todos os
dados, como sempre faço, para acompanhar o rendimento do motor e
como base no planejamento de abastecimentos, porque, sozinho, não
pode haver falha neste item.
Coloco as luvas e me desejo boa sorte no dia, pois
será uma etapa difícil e cansativa, embora de grande beleza
natural.
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