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Entro na ruta
40 e vou para o sul em direção a Bardas Brancas, que dista
66km. Exatos 20km rodados acaba o asfalto e começa um rípio
com muitos buracos e lombadas.
Em Bardas Brancas, junto a uma ponte sobre uma forte
correnteza de água que vem da cordilheira, uma placa indica, à
direita, o Corredor Pehuenche.
Já na entrada, com menos de 300 metros rodados desde
a ruta 40, encontro
muitas cabras que fecham todo o caminho. Paro, desço da moto e
fotografo o rebanho que se desloca e os três cavaleiros que as
conduzem. Cumprimento-os e converso com um deles, Luciano.
Informa-me que estão levando as cabras para engorda de verão
na cordilheira, pois geralmente estes passos acompanham os vales
verdes junto aos rios que são abastecidos por arroios e
vertentes.
Tiro uma foto de Luciano e seus companheiros, já
bastante empoeirados em seus cavalos. Ele me pede para enviá-la
pelo correio. Consigo papel e caneta na moto para Luciano
Villallovos anotar com mãos grossas e calejadas sua caixa
postal em Bardas Brancas. A mão esquerda segura as rédeas e
firma o papel na sela do cavalo para anotar com seus dedos
grossos da mão direita, mal conseguindo fechá-los para prender
a caneta. Luciano fica mais contente ainda quando ofereço a ele
e seus amigos uma bala de café, do Brasil. Deseja-me sorte na
despedida.
–
Obrigado, vou precisar mesmo – respondo enquanto subo na moto.
Alguns
caminhões transitando também, carregados de brita; muitos
desvios e máquinas que deslocam terra e preparam o leito da
estrada que vai sempre paralela ao leito do rio. Em alguns
trechos não consigo definir por onde devo passar, pois estão
liberados e na sua continuação, mais à frente, obstruídos,
sendo difícil pegar a outra opção de caminho devido ao
amontoado contínuo de brita solta que fica nas bordas. Em
outros trechos de estrada ainda falta muito aterro para chegar
ao nível projetado, profundos que descem, passando por dentro
de grandes buracos e retornam à superfície, na altura em que
deverá ficar a via.
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