Cruzando os Andes pelo passo El Planchón

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A brita solta recém-largada pelos caminhões e espalhada pela máquina dificulta a pilotagem da moto. “Se não tivessem feito nada, estaria muito melhor para rodar”, penso, mas é uma etapa necessária para a construção do leito da estrada que tem projeto de asfaltamento até a fronteira pelo passo de Pehuenche, e que neste trecho vai costeando o rio formado pela límpida água do degelo da cordilheira que deságua para leste.

Quase 15km percorridos e a estrada começa a ficar natural, com pouco rípio e sem a poeira levantada pelo movimento das máquinas e dos caminhões, melhorando assim as condições de pilotagem, permitindo maiores acelerações. Mais à frente, uma cancela, com uma casa ao lado, junto a grandes árvores, interrompe o caminho, e uma placa avisa: “Pare”. Acima, presa ao pórtico metálico que envolve a cancela, outra placa: “Gendarmeria Nacional – Escuadrón 29 – Malargue”.

Apresento a documentação e o militar me informa que o passo de Pehuenche está fechado no lado chileno, e que devo pegar o caminho à direita, uns 100 metros antes da aduana que está a uns 24km à frente, mas claro que devo primeiro passar na aduana em Las Loicas e seguir pela estrada que leva ao passo El Planchón.

Em Malargue tinham também me avisado que o passo El Planchón, seguindo por Las Lenhas, famosa estação de esqui, estava interrompido no lado argentino, já há bastante tempo. Eu tinha feito o planejamento da viagem por um mapa que não era tão antigo, do ano de 2000, e que indicava a passagem perfeita por este passo.

Com a confirmação em Malargue, à noite fiz um novo planejamento para pegar o passo de Pehuenche que estaria aberto. Agora me informam que devo ir até El Planchón, mas por uma estrada que une os dois passos em território argentino, que não existe nem em mapas, e que passa pelas Termas El Azufre.

Anoto as distâncias fornecidas pelo militar e calculo para ver se tenho gasolina suficiente para o trajeto, já que usarei muitas marchas reduzidas e o consumo deverá aumentar. A distância aumentou com esse novo roteiro, pois chegarei no Chile pela cidade de Curicó, mais ao norte, em vez de Talca como estava previsto.  

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