Cruzando os Andes pelo passo El Planchón

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 Continuo avançando por esta estrada larga. Mais uns três quilômetros e começo a ficar preocupado se não estou no caminho errado. A terra é bem árida, uma vaca morta já em estado de decomposição aparece no lado esquerdo, penso em fotografar para mostrar a secura do lugar, mas decido continuar e resolver primeiro esse detalhe do caminho para ter certeza de que estou no caminho correto. Avanço mais um pouco na esperança de encontrar alguma evidência de estar na estrada certa. Na frente vejo muita poeira no ar. Agora, mais próximo, vejo que é um rebanho de cabras que avança no mesmo sentido que rodo, com alguns cavaleiros conduzindo o enorme rebanho. Respiro aliviado, pois as cabras vinham apagando os vestígios dos pneus na terra com seu pisoteio e dando a nítida impressão de que ali não transitava nada há muito tempo. Paro e fotografo, peço a um dos cavaleiros que tire uma foto minha junto ao rebanho. O rapaz montado a cavalo fica impressionado ao ver a imagem digital de seu cachorro na máquina. Pergunto sobre a distância até as Termas El Azufre. Ele aponta para uma grande montanha nevada distante e me fala que fica ali atrás. Ele diz ali pelo tamanho da montanha atrás de muitas outras menores, mas o ali dele, para mim é lá, e muito distante.

Mais à frente, quase junto, outro rebanho de cabras se espalha pelo leito de um pequeno rio que corta perpendicularmente a estrada, sendo orientadas pelo assobio do cavaleiro que tem dificuldades em fazer com que as outras cabras atinem a cruzar sobre uma pequena ponte de tábuas na continuação da estrada. Avanço mais lentamente para as cabras irem se afastando.

“A mancha branca de areia vulcânica deve estar próxima”, penso. “O funcionário da aduana me falou em 30km, já rodei 34km.”

Agora vejo a montanha em que o vento bate e joga areia sobre a estrada, uma areia que se desprende como talco e avança encobrindo o caminho. Não acho que seja tão extensa como havia alertado o funcionário da aduana, talvez menos da metade.

 

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