Cruzando os Andes pelo passo El Planchón

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 Passo lentamente, mas vou acelerando conforme percebo o bom comportamento da DR650 nestas condições de terreno. Porém, depois de um pequeno trecho de estrada mais firme, há uma grande extensão de areia vulcânica à frente e acelero sem dó, a moto avança espetacularmente mesmo bem carregada. Na seqüência, os trechos de areia são mais intermitentes e pequenos, a pista parece que fica mais larga e segue sempre acompanhando o leito do rio.

Estou preocupado, pois não há sinais de que a estrada comece a subir a cordilheira e já rodei bastante.

Uma grande reta cercada por montanhas e o vento forte assobia em contato com a moto. Paro e faço uma pequena filmagem com a máquina digital, para tentar captar essa inóspita e árida região.

As montanhas com gelo agora parecem mais próximas, e a estrada começa a ficar estreita e a subir. Há um grande monte de rípio no lado esquerdo, parece que quebraram a pedra lá em cima ou foram descarregando montanha abaixo, pois é muita altura para que qualquer máquina possa ter empilhado as pedras. Essas pedras com cortes afiados facilmente cortariam pneus, se já não estivessem socadas no leito da estrada. Já no lado direito existe um barranco com um declive que assusta em caso de algum erro de manobra, e se eu despencasse por ali não conseguiria subir mais, tais são a altura e a inclinação escarpada feitas com as mesmas pedras.

Até agora ninguém passou por mim, nem cruzei com nenhum veículo. Algumas subidas mais fortes e vejo pequenas cachoeiras que em contato com a montanha ficam brancas pelo gelo formado, parecendo espuma que desce da cordilheira, juntado-se lá embaixo no rio.

Segue uma extensão muito plana, certamente alguma máquina de terraplanagem passou por aqui, e as mesmas marcas dos pneus que eu havia percebido logo depois da aduana. No centro a terra ainda está fofa, em outros trechos em forma de barro produzido pelo contato da água que desce montanha, condição ruim de pilotagem.

 

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