Cruzando os Andes pelo passo El Planchón

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Percebo que perdi o tampão do tubo de PVC onde levo as câmaras de pneu, alguns reparos, arame, funil para transferir a gasolina das bombonas para o tanque e o manete reserva de embreagem. Só ficaram as câmaras, o resto saltou fora.

Resolvo voltar uns três quilômetros, não mais porque posso ficar sem gasolina. Ouvi um barulho de metal em contato com a moto um pouco antes de falar com o patrolista, deve ter sido o manete quando caiu, portanto deve estar próximo. Lembro que passei forte sobre muitos córregos que cortam a estrada e num deles pode ter saltado a tampa do tubo fixado na parte de baixo do protetor de tanque.

“A patrola deve ter tapado e nunca mais acharei” – imagino. Desisto e retorno, seguindo em frente.

Agora riachos mais extensos me assustam, um bem largo e com grandes pedras redondas, próximo a uma casa que parece ser a última gendarmeria.

Paro, observo e acelero forte e firme. A moto carregada avança maravilhosamente como se estivesse tocando somente na borda superior de cada pedra, causando pouca oscilação. Estou cada vez mais maravilhado com esta bela trail DR650cc.

A casa não tem muito jeito de aduana, mas o caminhão militar ao lado e a bandeira hasteada não deixam dúvida. A cordilheira nevada ao fundo dá um belo visual com o sol da meia tarde.

Bato na porta e aparece um militar. Recebe-me bem, apresento os papéis e ele me pergunta:

– Meus amigos lá embaixo me mandaram algum jornal?

Percebo que ele deve estar um tanto isolado neste lugar.

– Infelizmente não me deram nada para trazer – respondo.

Por uma porta interna entreaberta vejo uma pia com copos apoiados, uma espécie de cozinha sem panelas, somente um pequeno armário num canto. Peço permissão para pegar um pouco de água.

 

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