Cruzando os Andes pelo passo El Planchón

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 Só por este instante, todo o esforço de chegar aqui, todo o investimento e planejamento já teria valido a viagem, poderia voltar tranqüilo e recompensado. Talvez porque rodo em busca destes momentos mágicos, e que nunca conseguirei expressar com simples palavras ou imagens fotográficas ou tampouco em filmes, é que me explica esse firme propósito de andar por estes lugares inóspitos.

O que escrevi no meu livro Machu Picchu: “Mais importante que o objetivo final de uma viagem é o caminho, pois é ele que nos ensina enquanto o cruzamos” , atesta totalmente este instante.

Continuo quase que em estado de torpor, mas atento às condições do terreno, obstáculos, buracos e pedras.

Mais uma curva e surge uma planície como um campo de futebol, rodeada de montanhas geladas bem próximas com um bloco de concreto no centro, um marco. Dou um berro dentro do capacete por ter alcançado o topo do passo El Planchón, 2.938 metros de altitude.

No marco em forma de um pequeno obelisco, porém sem ponta, tem afixada na lateral uma placa com a inscrição: “Expedición de Reconocimiento – Ruta Sanmartiniana – PASO EL PLANCHÓN – Centro de estudios e investigaciones Gral. José de San Martín – 1ª Expedición Ecuestre – Malargue, Mendoza – Febrero de 2002.”

O marco é recente e pela precariedade da estrada pode dar a idéia de que o passo foi aberto há pouco tempo, mas em 1817 o tenente coronel D. Ramón Freire Serrano, com 80 infantes e 25 granadeiros pertencentes ao exército de Los Andes, recebeu a incumbência do Gen. José San Martin – militar e político argentino que no século XIX comandou a independência da Argentina, Chile e Peru – para cruzar a cordilheira dos Andes por este passo e tomar a cidade de Talca no Chile. Posteriormente venceu em Chacabuco na batalha de mesmo nome e que foi decisiva na emancipação chilena face ao domínio espanhol.

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