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Seguindo
atrás dele, teria que conseguir um grande córrego ou uma
cascata para tirar todo o pó quando chegasse na Pan-americana.
Continuo
descendo e o pó levantado pela pickup
em alguns trechos ainda não sentou, então diminuo a
velocidade.
Em
seguida entro no asfalto, passo por Los Queñes e Romeral.
Muitas
casas na beira da rodovia, emaranhados de fios elétricos em
postes, cachorros, bicicletas, carros velhos e pessoas cruzando.
E para não ser diferente aqui, resolvo conversar e sentir o
humor das pessoas do local.
Poderia
ter perguntado alguma coisa ao rapaz na bicicleta, mas desisto e
aproveito a proximidade das duas senhoras que conversam na beira
da faixa.
Uma
delas bem arrumada, vestido floreado e exalando perfume agradável,
parecendo estar esperando o ônibus. A outra com avental branco
e cheirando a tempero de comida, parecendo conversar rápido,
enquanto o ônibus não chega, sobre algum ocorrido na vizinhança,
tipo: “Vizinha, você viu o que o marido da Mercedes fez?”,
ou, “Nem te conto, ontem à noite a filha da Maria brigou com
o namorado e fugiu com o marido da Conceição”.
–
As senhoras sabem me informar se falta muito para Curicó? –
pergunto com a moto ao lado das duas, depois de levantar a parte
frontal do capacete.
–
Já está próximo, no final desta rua o senhor entra à direita
e pega a faixa que cruza – responde a senhora de avental,
desviando os olhos para a bandeira no bauleto e retornando o
olhar para a sua amiga, como que pedindo uma confirmação.
–
Não, o senhor dobra à esquerda, sobe pelo viaduto que passa
sobre a faixa e dobra à direita, saindo na pista que vai a
Curicó – corrige a senhora perfumada, no que a do avental
concorda imediatamente, como quem diz: “Vai logo, porque senão
o ônibus chega e eu não consigo concluir toda a fofoca do
dia”.
Se
tivesse GPS não teria sentido esse perfume chileno.
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