Cruzando os Andes pelo passo El Planchón

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Ele diz saber disso. Então eu não entendo por que ele exige tal documento. Logo fica por isso mesmo e ele me fornece um papel tamanho oficio, em 2 vias, para conduzir a moto em seu país, que no Chile continua sendo obrigatório. Carimba meu passaporte e me pergunta se não estou levando alimentos na bagagem ou alguma coisa que me comprometa. Digo a ele que apesar desse meu visual meio hippie não uso drogas e carrego apenas balas.

Ele pega uma bala de revólver do seu cinto e me pergunta:

– Igual a essa?

– Claro que não – respondo rindo –, são balas de café.

Agora, com os milicos mais tranqüilos, ofereço balas de café aos quatro homens de plantão.

Peço autorização para bater uma foto e todos saem correndo quando puxo a máquina digital. Pergunto ao “comandante” do local, já mais amigo, sobre a fuga repentina da tropa. Ele me explica que eles não podem aparecer em fotos sem o quepe. Um deles volta com o boné e fica ao meu lado junto à moto, enquanto o comandante chupando bala tira uma foto com a máquina, e que lhe impressiona. Ao me devolver, me recomenda:

– Tome cuidado em Curicó, porque você pode ser roubado e ficar sem esta máquina.

O caminho continua péssimo, mas, após uns quatro quilômetros, entro numa ótima estrada, apesar do pó, bem ripiada, mas bem compactada, bem sinalizada, plana e pronta para receber o asfalto que provavelmente não chegará tão cedo.

Sempre descendo também acompanhado pelo rio, agora mais caudaloso, que desce no lado direito no sentido oeste e onde em alguns lugares varas de pescar são balançadas por pescadores de trutas chilenos.

Quando o “comandante” na aduana me falou que poderia acelerar a 80, 100, 120km por hora, achei que ele estava brincando, mas agora vejo que ele falava a verdade, pois já estou a 100km/h, apesar das leves dançadas na traseira da moto devido ao rípio.

 

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