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Paro justamente no meio e fico imaginando um possível
deslocamento por desprendimento daquela enorme placa inclinada
sobre a estrada. Seria quase impossível, mas é bom nem pensar.
Pressiono a mão aberta no gelo, deixando a marca impressa na
cordilheira gelada.
Tiro
outra foto rapidamente da moto na estrada entre as placas de
gelo e sigo em frente com a esperança de uma estrada melhor,
mas o que tenho é uma descida constante e estrada bem estreita,
com um rio bem abaixo entre as montanhas, não dando a chance de
contemplar muito a paisagem, pois é preciso prestar atenção
na pilotagem da moto.
Algumas
vezes paro e fotografo, e então posso me deliciar com o visual.
Cruzo
uma ponte sobre forte correnteza de água que bate em enormes
pedras do lado esquerdo e desce para a minha direita, a norte,
onde vejo distante uma casa à beira da estrada que passa junto
à montanha, lá embaixo, e bem distante ao fundo, entre outras
duas montanhas, a cordilheira nevada. Como num cartão postal, o
magnífico contraste entre o verde de alguns trechos de
montanhas, a terra, o branco do gelo e o azul anil do céu límpido
é impossível de descrever, mas fácil de sentir. Uma
verdadeira pintura num quadro tridimensional.
Penso
ser a aduana chilena, mas quando chego encontro uma grande casa
com telhado de zinco enferrujado, piso de terra e portas
abertas, buzino várias vezes, mas pela demora, não deve
existir ninguém nem no banheiro. Sigo em frente.
O
terreno bem acidentado, com a estrada estreita, continua sempre
descendo; o sol já está mais baixo, causando uma grande sombra
entre as montanhas.
Sigo
descendo pela estrada estreita. Sobre uma grande pedra um mastro
e a bandeira chilena hasteada, certamente é aqui. Está ali a
cancela de tubos de ferro interrompendo o caminho.
O
militar me recebe muito bem, mas quer o papel fornecido na
Argentina para conduzir a moto.
Explico que com o acordo do Mercosul, na
Argentina e no Uruguai não é necessário este papel, pois o próprio
certificado de propriedade
do veículo no nome do condutor é suficiente.
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