Cruzando os Andes pelo passo El Planchón

www.chardo.com.br

 

Seguindo atrás dele, teria que conseguir um grande córrego ou uma cascata para tirar todo o pó quando chegasse na Pan-americana.

Continuo descendo e o pó levantado pela pickup em alguns trechos ainda não sentou, então diminuo a velocidade.

Em seguida entro no asfalto, passo por Los Queñes e Romeral.

Muitas casas na beira da rodovia, emaranhados de fios elétricos em postes, cachorros, bicicletas, carros velhos e pessoas cruzando. E para não ser diferente aqui, resolvo conversar e sentir o humor das pessoas do local.

Poderia ter perguntado alguma coisa ao rapaz na bicicleta, mas desisto e aproveito a proximidade das duas senhoras que conversam na beira da faixa.

Uma delas bem arrumada, vestido floreado e exalando perfume agradável, parecendo estar esperando o ônibus. A outra com avental branco e cheirando a tempero de comida, parecendo conversar rápido, enquanto o ônibus não chega, sobre algum ocorrido na vizinhança, tipo: “Vizinha, você viu o que o marido da Mercedes fez?”, ou, “Nem te conto, ontem à noite a filha da Maria brigou com o namorado e fugiu com o marido da Conceição”.

– As senhoras sabem me informar se falta muito para Curicó? – pergunto com a moto ao lado das duas, depois de levantar a parte frontal do capacete.

– Já está próximo, no final desta rua o senhor entra à direita e pega a faixa que cruza – responde a senhora de avental, desviando os olhos para a bandeira no bauleto e retornando o olhar para a sua amiga, como que pedindo uma confirmação.

– Não, o senhor dobra à esquerda, sobe pelo viaduto que passa sobre a faixa e dobra à direita, saindo na pista que vai a Curicó – corrige a senhora perfumada, no que a do avental concorda imediatamente, como quem diz: “Vai logo, porque senão o ônibus chega e eu não consigo concluir toda a fofoca do dia”.

Se tivesse GPS não teria sentido esse perfume chileno.

 

15