Cruzando os Andes pelo passo El Planchón

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– Existem três entradas para a cidade, esta é a do meio, e todas possuem pedágio – ele me informa, e querendo se livrar de mim ordena passar pelo lado, entre obstáculos de concreto, e sigo em frente.

Depois fiquei sabendo que é cobrado pedágio na Pan-americana. Entregaram para uma empresa estrangeira, uma tal de Autopista Del Maipo. Colocaram cercas de tela soldada em todo o costado da rodovia de duas pistas. Cercaram o povo, que, para se deslocar para outros locais por esta rodovia, não paga quando sai, mas paga quando entra nas cidades. Em alguns lugares vejo a cerca cortada, um rombo por onde passa um pedestre, noutros, passa até um caminhão. Talvez feito por uns poucos chilenos revoltados com o engaiolamento nas cidades e nos pequenos povoados à beira da Pan-americana.

Encontro o Hotel Comercio, que um dos milicos da aduana chilena havia me recomendado por ser o mais barato da cidade e bom, 3 estrelas – pelo menos afixadas na parede ao lado da porta de entrada do hotel.

O recepcionista Fernando Astroza me dá o preço de 18 mil pesos a diária, em apartamento simples com banheiro e TV. Eles sempre falam também em “água caliente” como se fosse mordomia de outro mundo.

Eu, já estando acostumado com os preços na Argentina, praticamente igual ou menor do que no Brasil, e para regatear um pouco, digo a ele que para mim é caro, porque nossa moeda brasileira está desfavorável em relação ao peso chileno, com a cotação de 589 pesos chilenos para 1 dólar.

Ele concorda e abaixa o preço, anunciando 17.500 pesos, ao mesmo tempo em que o carregador de malas do hotel me informa que havia um motoqueiro (motociclista não faria isso) na minha moto pegando minhas luvas e que estava quase levando se não lhe chamasse a atenção. Ainda bem que retirei a máquina digital, conforme o “comandante” na aduana me recomendou.

Estou mal em Curicó, um roubando na frente e outro ao mesmo tempo nas costas, é difícil se defender. Como o sol já vai entrar, se ficar na rua vão me levar até a moto, então resolvo pernoitar por aqui mesmo, já que tem estacionamento interno para a moto.

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